A temporada mantém a ação característica da série, mas encontra seu principal interesse na maneira como a violência modifica pessoas que já estavam acostumadas a viver cercadas por ela. Evandro precisa enfrentar inimigos antigos, novas alianças e a possibilidade de perder o próprio império, enquanto Morello (Rui Ricardo Diaz) também começa a agir cada vez mais por razões pessoais.
A vingança de Evandro não nasce simplesmente do desejo de eliminar seus adversários. Ela surge da necessidade de encontrar responsáveis por uma perda que não pode ser reparada. O personagem, que durante anos construiu sua força justamente pela capacidade de pensar alguns passos à frente, passa a agir pressionado pela própria dor.
Essa mudança é importante porque coloca em dúvida aquilo que sempre sustentou sua trajetória. O poder servia para proteger negócios, aliados e família, mas agora se mostra incapaz de impedir a maior tragédia de sua vida. Evandro continua sendo estrategista, porém suas decisões ficam cada vez mais contaminadas pelo desejo de retribuir a violência sofrida.
A temporada utiliza essa transformação para mostrar que o império do Dendê também é uma prisão. Quanto maior a estrutura construída por Evandro, maior o número de pessoas que dependem dele e maior a quantidade de inimigos interessados em derrubá-lo.
A transformação de Geise talvez seja ainda mais significativa porque ela não se limita a acompanhar a vingança do marido. Desde as primeiras temporadas, a personagem deixou de ser apenas a companheira de Evandro e passou a ocupar um espaço próprio dentro das negociações do crime. Nesta fase, essa evolução chega ao extremo.
A perda dos filhos produz nela uma reação diferente, marcada por uma necessidade de vingança que não depende mais das decisões de Evandro. A personagem passa a tomar iniciativas pelas costas do marido e, no final, chega a confrontar Carmen sem aceitar que ninguém a impeça. A dor deixa de ser apenas um elemento emocional da história e passa a determinar suas ações.
É também nesse ponto que o relacionamento do casal se torna mais frágil. Eles compartilham a mesma tragédia, mas não necessariamente conseguem enfrentá-la da mesma maneira. A série transforma essa diferença em uma das principais tensões dramáticas da temporada.
A relação entre Evandro e Morello sempre foi construída como uma perseguição entre dois homens determinados a derrotar um ao outro. A sexta temporada modifica essa dinâmica porque o policial começa a se aproximar dos mesmos métodos que durante anos combateu.
Morello se alia a Inês, Afonso e a ex-policiais ligados à milícia para tentar atingir o tráfico. O problema é que essa união reúne interesses muito diferentes. A operação deixa de ser apenas uma ação policial e passa a envolver conflitos familiares, ambições pessoais e vinganças.
No episódio final, essa transformação chega ao limite. Morello decide agir fora das regras da Polícia Federal e conduz Evandro para uma armadilha. O confronto entre os dois deixa de representar simplesmente polícia contra criminoso e passa a simbolizar uma disputa pessoal que consumiu boa parte de suas vidas.
A entrada de Playboy, interpretado por Bruno Gagliasso, acrescenta uma nova dimensão à história. Ele não chega simplesmente para ocupar o lugar de mais um inimigo de Evandro. Sua presença representa a possibilidade de que o poder construído durante tantos anos tenha deixado de pertencer ao protagonista.
Descrito pela equipe como um personagem caótico e marcado por questões familiares profundas, Playboy também evita a divisão simples entre heróis e vilões que a própria série procura abandonar. Ele é violento, mas possui conflitos pessoais que ajudam a explicar suas escolhas.
Sua importância aumenta justamente porque Evandro termina a temporada enfraquecido. O homem que durante anos controlou o Dendê já não ocupa a mesma posição, e o novo personagem encontra espaço para assumir uma parcela desse poder.
O título do último episódio, “Do Alto a Queda é Maior”, resume de maneira bastante direta o caminho percorrido por Evandro. Depois de construir um império, ele termina a temporada em uma posição muito diferente daquela que ocupava no início.
Morello consegue capturá-lo e o leva consigo em uma viatura. O confronto termina com o carro despencando de um precipício. Os dois sobrevivem, mas o salto temporal de dois anos mostra as consequências: Evandro reaparece fragilizado e afastado do poder, enquanto Playboy ocupa uma posição dominante no tráfico.
A imagem da queda funciona também como símbolo da temporada. Evandro passou anos tentando subir dentro de uma estrutura criminosa e acreditando que o poder poderia lhe garantir algum controle sobre a própria vida. No fim, descobre que uma posição no topo também significa ter muito mais a perder.
A sexta temporada termina reorganizando praticamente todas as relações importantes da série. Evandro perde parte do controle que levou anos para conquistar, Geise passa a agir de forma cada vez mais independente, Morello abandona parte dos limites que definiam sua atuação e Playboy surge como uma nova força dentro do crime.
A revelação de que Carmen participou do atentado acrescenta outra camada à história e mostra que a ameaça também pode surgir dentro do círculo de confiança. A temporada utiliza essa descoberta para reforçar uma ideia recorrente em Impuros: em um universo construído sobre alianças frágeis, confiança e poder raramente permanecem juntos por muito tempo.
Mais do que ampliar a guerra pelo tráfico, a sexta temporada transforma as consequências das escolhas em seu principal tema. Evandro e Geise tentam responder à perda com violência, Morello passa a agir motivado também por questões pessoais e Playboy encontra um espaço deixado pela fragilidade do antigo líder.
A série termina, portanto, sem devolver seus personagens ao ponto em que estavam. A queda de Evandro muda o equilíbrio do Dendê e abre espaço para uma nova etapa. As filmagens da sétima temporada começaram no Rio de Janeiro em abril de 2026, com o retorno de Raphael Logam, Lorena Comparato, Rui Ricardo Diaz e Bruno Gagliasso, entre outros nomes.
Assista ao trailer da 6ª temporada da série Impuros:
Nome: Impuros | Impuros | Brasil | 2026
Criador: Alexandre Fraga
Obra original ou base literária: Série original, inspirada no universo do crime carioca e em acontecimentos e personagens que dialogam com a realidade brasileira.
Desenvolvimento: Alexandre Fraga e equipe de criação da série
Direção: Tomás Portella, René Sampaio e Tatiana Fragoso
Roteiro: Equipe de roteiristas da série
Elenco: Raphael Logam (Evandro do Dendê); Lorena Comparato (Geise); Rui Ricardo Diaz (Victor Morello); Karize Brum (Inês); João Vitor Silva (Afonso); Leandro Firmino (Gilmar); Sérgio Malheiros (Wilbert); Bruno Gissoni (Santos); MC Carol (Marcelão), entre outros.
Participação especial: Bruno Gagliasso (Playboy)
Gênero: Drama, ação, policial e crime
Produção: Barry Company / Disney
Distribuição: Disney+
Orçamento estimado: Não divulgado oficialmente
Locações: Rio de Janeiro e outras locações utilizadas pela produção
Direção de arte e figurino: Não divulgados oficialmente em detalhe
Trilha sonora: Não divulgada oficialmente em detalhe
Temporada: 6ª temporada
Episódios: 10
Duração: Aproximadamente 47 minutos a 1h06 por episódio.
Plataforma de exibição: Disney+
Premiações, participação em festivais e reconhecimento: A série recebeu indicações ao International Emmy Awards e a sexta temporada foi anunciada pela Disney como a estreia nacional mais vista do Disney+ em 2026, considerando os cinco primeiros dias de exibição.
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