Poucos filmes de suspense prendem o público com tão poucos elementos. Em A Queda (Fall, 2022), tudo se resume a duas amigas, uma plataforma minúscula e uma torre de TV gigantesca no meio do deserto.
O filme vai além do susto. Por trás da escalada existe uma história sobre perda, culpa e o medo de seguir em frente. A torre é o lugar onde esses sentimentos deixam de poder ser escondidos.
Becky e o luto que paralisa
A história começa com uma perda. Becky (Grace Caroline Currey) vê o marido, Dan, morrer durante uma escalada. Um ano depois, ela bebe demais, evita os amigos e quase não conversa com o pai, James. A atividade que antes era sua paixão agora só lembra a tragédia.
O filme deixa claro que ela não está presa apenas ao medo de altura. Becky está presa à culpa de ter sobrevivido. A subida na torre funciona como um teste: ou ela enfrenta esse peso, ou continua parada no mesmo lugar. A plataforma estreita, sem espaço para fugir, é o retrato do estado emocional dela.
Hunter, a amizade e a vida de aparências
Hunter (Virginia Gardner) é o oposto da amiga. Ela vive de postar desafios radicais nas redes e parece não ter medo de nada. É ela quem convence Becky a subir a torre, com a promessa de espalhar as cinzas de Dan lá no alto.
Aos poucos, o filme mostra que essa coragem esconde fragilidade. Hunter guarda um segredo ligado a Dan, e a revelação abala a amizade no pior momento possível. A personagem também mostra como a vida de aparências nas redes pode servir para fugir de problemas reais.
A reviravolta final reforça esse tema. Parte da companhia que Becky sente ao longo da história nasce da própria mente dela. No fim, o filme sugere que ninguém atravessa o luto por procuração: a despedida precisa ser feita por quem ficou.
A torre como símbolo
A torre é a grande personagem do filme. Enferrujada, abandonada e alta demais, ela representa a dor que Becky evitou durante um ano. Subir significa encarar o que ficou para trás.
Cada degrau que cede mostra como é difícil manter o equilíbrio quando tudo parece instável. Os urubus que rondam o topo reforçam a sensação de ameaça e de morte por perto, como um aviso de que a estagnação também pode ser perigosa.
O realismo ajuda a sustentar esse simbolismo. A produção construiu uma versão menor da torre na beira de um penhasco no Deserto de Mojave, para que as atrizes filmassem na altura real. Com orçamento de apenas 3 milhões de dólares, o diretor Scott Mann apostou no desconforto verdadeiro em vez de depender de efeitos digitais. O medo que vemos na tela, em boa parte, é o medo que elas sentiram.
A Queda não é um filme perfeito. A crítica apontou exageros no roteiro e algumas soluções pouco realistas. Ainda assim, o filme funciona porque entende que o perigo mais difícil de vencer é interno.
Os acertos explicam o sucesso: rendeu cerca de 21 milhões de dólares nos cinemas e virou assunto nas redes e na TV. O que fica depois dos créditos é a ideia de que seguir em frente exige coragem para olhar a própria dor de frente.
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O artigo sobre A Queda 2 – No Limite (2026), que leva o suspense e o perigo das histórias de sobrevivência em grandes alturas a uma nova aventura. Com novos personagens e uma situação diferente, o filme mantém a tensão e os desafios extremos que marcaram o primeiro longa.
Assista o trailer do filme A Queda:
Ficha técnica do filme:
Nome: A Queda | Fall | Estados Unidos e Reino Unido | 2022
Duração: 107 minutos
Estreia: 12 de agosto de 2022 (EUA); 29 de setembro de 2022 (Brasil)
Criador: não se aplica (ideia original de Scott Mann)
Obra original ou base literária: roteiro original, que começou como projeto de curta-metragem
Desenvolvimento: a ideia surgiu durante as filmagens de Final Score (2018), em conversas sobre medo de altura
Direção: Scott Mann
Roteiro: Scott Mann e Jonathan Frank
Elenco: Grace Caroline Currey (Becky Connor), Virginia Gardner (Hunter), Mason Gooding (Dan Connor)
Participação especial: Jeffrey Dean Morgan (James Connor)
Gênero: thriller de sobrevivência e suspense psicológico
Produção: Tea Shop Productions, Capstone Pictures, Flawless e BuzzFeed Studios
Distribuição: Lionsgate
Orçamento estimado: US$ 3 milhões (bilheteria mundial de cerca de US$ 21 milhões)
Locações: Shadow Mountains, no Deserto de Mojave, Califórnia (EUA)
Direção de arte e figurino: Scott Daniel (design de produção) e Lisa Catalina (figurino); fotografia de MacGregor
Trilha sonora: Tim Despic
Plataforma de exibição: disponibilidade varia; em levantamento de 2025, constava no Prime Video, com opções de compra e aluguel em outras lojas digitais.
Premiações, participação em festivais e reconhecimento: não encontrei prêmios ou festivais de destaque. O reconhecimento veio do desempenho de bilheteria e da boa recepção do público, com elogios às atuações de Currey e Gardner.
Fontes:
Box Office Mojo, Catraca Livre, Cinefilos, Film Review Daily, Omelete, ReelViews, Roger Ebert, Rolling Stone Brasil, TecMundo, Wikipedia